OAB-PE apoia congresso que promove protagonismo das mulheres negras

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*Com informações da Abayomi Juristas Negras

Julho é o mês da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, mês importante para lembrar que a luta pelo fim do racismo e discriminação de gênero não pode parar. No Brasil, coletivos de mulheres estão a todo vapor preparando o que nas redes é chamado de Julho das Pretas, e no Recife não é diferente. Nos dias 24 e 25 de julho será realizado o Congresso “Mulheres Negras: entre dororidade e multipotencialidade”, com realização da Abayomi Juristas Negras e da Comissão de Igualdade Racial da OAB-PE, em parceria com a Uninabuco Recife e o Governo do Estado. O evento será online, transmitido pelo canal da universidade parceira. 

O incentivo à diversidade marca a iniciativa. Haverá intérpretes de libras para que a população surda também possa ter acesso à programação: “quando o assunto é inclusão ainda existe muito o que caminhar, mas estamos fazendo a nossa parte e esse público, certamente, será muito bem-vindo”, concluiu Manoela Alves, professora, ativista e presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-PE. 

Composto por painéis de discussões, o evento já conta com a presença de nomes inspiradores como o da escritora Vilma Piedade (RJ) – autora do livro Dororidade -, da Juíza Criminal Karen Luise (RS), da Promotora de Justiça Lívia Sant’Anna Vaz (BA), dentre outras mulheres negras potentes. 

Conforme censo divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça, apenas 553 dos 10.782 cargos da magistratura no Brasil são ocupados por mulheres negras. E esse foi um dos principais motivos para a criação da Abayomi Juristas Negras, uma coletiva de afroempreendedorismo social cujo o propósito é combater estrategicamente o racismo estrutural, ofertando capacitação, aperfeiçoamento, empoderamento e treinamento de alta qualidade, a fim de criar condições efetivas de inclusão da população negra em espaços de poder e saber, focando, principalmente, na ocupação de cargos nos órgãos que compõem o Sistema de Justiça Brasileiro. 

Música – Conhecimento, cultura e diversão andam juntos no “Julho das Pretas”. Além das conferências com temáticas ligadas ao tema central do Congresso, a festa “Enquanto Isso Em Wakanda” acontecerá integrada com a programação. O evento que estreou este ano como prévia carnavalesca em exaltação à cultura negra, dessa vez será a apoteose das celebrações puxadas pelo grupo de juristas. Artistas da terra como Blera Alves e Lucas dos Prazeres, compõe o line-up com nomes como o de Sandra de Sá (RJ), uma ilustre conhecida da black music brasileira.

De acordo com Chiara Ramos, uma das fundadoras da coletiva Abayomi Juristas Negras, “foram anos de apagamento da nossa relevância intelectual, dos nossos saberes ancestrais, agora é hora de ocuparmos os espaços que nos foram negados por séculos”. Chiara, que também é uma das idealizadoras da festa afrofuturista “Enquanto isso em Wakanda”, fala da multipotencialidade das mulheres negras. “Seja na academia, através do ensino e da pesquisa, seja no sistema de justiça, que ainda é majoritariamente branco, seja nas artes, nós resistimos e transformamos as nossas dores em potência”. 

O “Julho das Pretas” conta, ainda, com o apoio de diversos órgãos e entidades públicas e com o patrocínio da ESA-PE, CAAPE, da ANAFE, da AMEPE, PORTO OITO, da ENADPU, além de advogadas e escritórios de advocacia comprometidos com a prática antirracista, como o Vitor Noé Advogados Associados (RO) e o Queiroz Cavalcanti Advocacia (PE). 

Serviço 

Data: 24/07, das 19h às 21h30 e 25/07, das 9h às 18h. 

Inscrições: http://abre.ai/julhodaspretas2020 

Instagram: @abayomijuristasnegra @enquantoissoemwakanda